sábado, 26 de setembro de 2009

Doce encontro


Uma das coisas que mais ouço de amigos, conhecidos e pacientes
é sobre o medo, quase pavor de ficar sozinho (a).
E em nome desse medo permanecem presos a relações infelizes,
destrutivas, mutuamente empobrecedoras.
A idéia da solidão é propagada como um castigo amargo
e reforçada pela desesperança.
É como uma condenação à morte em plena vida.
Fui, durante muitos anos, refém desse medo
que me manteve paralisada,
e a tentar inutilmente ressucitar o que já havia morrido.
Incrédula, lutei pra não abrir mão do sonho adolescente do amor eterno.
Afinal, fora um amor tão intenso, tão profundo, como poderia acabar?
Diz Toquinho em uma música do quanto é triste
ver o amor morrendo dentro da gente, esvaindo-se entre os dedos,
por mais que tentemos agarrá-lo.
Uma das maiores dores que já senti, porque é lenta e silenciosa,
aperta de verdade o coração.
Quando finalmente nos defrontamos com a verdade do que sentimos,
nos deparamos com esse medo: a solidão.
Será que serei feliz sozinha? Isso, afinal, é possível?
A casa, sempre movimentada pela presença alegre das filhas,
marido, empregada, cachorra...de repente fica vazia.
E nesse vazio, acontece o encontro.
Inicialmente tímido, receoso, desconfiado.
Mas progressivamente enriquecedor, terno, amplo.
O encontro comigo mesma.
Sem papéis a serem preenchidos, sem cobranças.
Livre.
Descobri o quanto sou uma excelente companhia!
Nesse processo me apodero um pouco mais de mim mesma,
a cada instante; compreendo quem sou,
gosto desta parceria.
Ela é muito bem vinda após tantos desencontros.
Hoje escolho muito bem quem desejo que compartilhe
o meu universo, meu infinito particular.
Não aceito o menos, o insuficiente, o pobre de afeto, o sem alma.
Quero apenas o que sei que mereço...
quem deseje o mesmo que eu: uma vida plena.
Integralmente vivida e compartilhada.
Soma. Multiplicação.

Um comentário:

NATHALIA.Z disse...

Lindos, mãe. O encontro sereno com a solidão e as suas palavras. Andei pensando que muitas vezes a gente JÁ convive com a solidão e se sente sozinha mesmo em um relacionamento (ou em uma multidão). Amo. beijo

"Coração mistura amores. Tudo cabe."